A vivência da dança pela comunidade no espaço periférico do Morada Nova democratiza o acesso à Cultura

Por: Luciene Teixeira

A importância da dança como inclusão social foi o principal tema que norteou o Palco Livre na Cozinha Comunitária, do bairro Morada Nova, em Uberlândia. No segundo dia da 30ª edição do Festival de Dança do Triângulo (FDT), na manhã desta quinta-feira (11), o público formado por pessoas atendidas e voluntárias vivenciaram as performances do coreógrafo, intérprete e professor de dança Vanilton Lakka e da dançarina Ketrin Furlaneto. O FDT é realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU)
Como parte do diálogo com a comunidade, Lakka partilhou com o público sobre a dança, sua própria história de vida e a importância da dança como inclusão social. Ele revela que morou em um bairro periférico da cidade e que, aos doze anos, começou a dançar, o que lhe propiciou expandir suas relações sociais. E o artista destacou o significado do projeto Palco Livre, cuja proposta é levar a dança para espaços diferentes do palco tradicional. “Vir hoje no Morada Nova e na Cozinha Comunitária é uma possibilidade de alcançar pessoas que não vão ao teatro ou não têm o hábito de ir ao teatro, então às vezes é a primeira experiência que a pessoa tem com a dança cênica, com uma dança num outro formato” , comentou.



O Palco Livre Cozinha Comunitária teve duas apresentações com modalidades diversas de dança. A primeira foi a performance de Lakka, intitulada “Rastros”, constituída de movimentos derivados do Hip Hop. A segunda, da dançarina Ketrin Furlaneto,constitui-se da coreografia de Dança do Ventre.
Luizão, do movimento de dança de rua e do Grupo Conexão, emocionou-se com o fato de o Festival ir até o bairro este ano. Ele contou que participou do Festival durante 14 anos, até o ano 2000. “Uma das maiores expressões culturais de Uberlândia é o Festival de Dança do Triângulo. E eu estou apaixonado dele ter voltado e estar aqui na periferia”, afirmou.
Daniela, moradora do bairro Morada Nova, professora de balé, conta que tem 50 alunos na Associação Crescer e que participarão do Festival como projeto social. A instituição oferece várias atividades artísticas e culturais às crianças além do balé, como capoeira, percussão e maculelê.
Para Tia Clau, apelido carinhoso de Claudeluce, coordenadora da Cozinha Comunitária, a ida do Festival até o Morada Nova é de grande importância. Ela explica que tanto as pessoas atendidas pelo projeto quanto as voluntárias que trabalham nele não têm condições de se deslocarem para o teatro, onde ocorrerá a maioria das apresentações, mas tiveram a oportunidade de verem como é a vivência da dança. “O pessoal da cozinha participou, o pessoal do bairro veio, e isso é muito importante para nós da comunidade, pois a dança traz um olhar diferente para a nova geração. É maravilhoso.” ressalta.
O 30º Festival de Dança do Triângulo contará ainda com apresentações em Palco Livre no Mundo da Criança do Parque do Sabiá, no Pátio Sabiá e no Espaço Cultural do Centro Municipal de Cultura ao longo da próxima semana.
