Grupos Solas de Ouro e Raízes do Sertão trazem o olhar feminino para a Cultura Catira

Por: Brenda Mesquita

Em mais uma das inovações para possibilitar espaços para expressão da pluralidade cultural, a Mostra Catira representou as raízes sertanejas da cultura popular brasileira, na segunda-feira (22), no Teatro Municipal de Uberlândia, como parte da programação do 30º Festival de Dança do Triângulo (FDT), realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU). A mostra contou com a apresentação dos grupos Raízes do Sertão e Solas de Ouro, acompanhados pelo Viola de Nóis.
A Catira é uma dança que tem origem no folclore brasileiro, com registros desde o período colonial. Ela também se caracteriza como um estilo musical e utiliza do corpo e da viola como instrumentos de expressão. Os sons produzidos pelas batidas das mãos e dos pés dos dançarinos, característica muito comum em danças com origem indígena, aliados ao tocar do violeiro, com bases jesuítas trazidas pelos colonizadores, produzem uma sonoridade única. Suas vestimentas remetem ao Brasil sertanejo, com camisa xadrez, chapéu, calça, fivela e botinas.
Há quem diga que o estilo de dança é apenas para homens devido à origem, mas os grupos Solas de Ouro e Raízes do Sertão, formados apenas por mulheres, demonstram a necessidade de desconstruir esse pensamento. Ser uma mulher em um ambiente majoritariamente masculino é um desafio por si só; quando isso se estende às culturas populares, muitas mulheres deixam de se expressar como amam por medo de julgamento externo. Mas esse não é o caso desses dois grupos de Catira.
Para a líder do grupo Solas de Ouro, Bruna Maximiano, mesmo que a modalidade de dança tenha sido realizada apenas por homens ao longo da história do país, a mulher traz um olhar feminino que impacta. “Nós somos seis meninas no Solas de Ouro e criamos ele em 2020, durante a pandemia. A gente está trazendo a mulher para essa cultura maravilhosa, por isso nossa expectativa é que as pessoas conheçam e vejam mais da mulher dentro dela.”, afirma a jovem dançarina.


O grupo Raízes do Sertão, também formado apenas por catireiras, reforça que a Catira pode, sim, ser uma dança feita por mulheres. Para a representante do grupo, Ana Clara Ticotinho, a participação no FDT foi memorável. “A catira nunca tinha participado do Festival, e trazer grupos femininos para representá-la foi muito importante. Para as mulheres que queiram dançar Catira, é só nos procurar, porque estamos em busca de novas dançarinas para levar a cultura tradicional brasileira com um olhar feminino para todos os lugares!”, afirma Ana Clara.
Durante a semana, o público ainda acompanha as Mostras Competitivas e Não Competitivas do 30º Festival de Dança do Triângulo. Fique ligado na programação pelas redes sociais do FDT.