O pocket espetáculo “Liame”, de Karyne Bittencourt, foi o escolhido para a apresentação como companhia convidada do FDT

Por: Brenda Mesquita

Na reta final do 30º Festival de Dança do Triângulo (FDT), a Companhia de Dança Bittencourt foi a convidada da sexta-feira (26), para participar da programação diária de Mostras Competitivas e Não-competitivas. Os bailarinos, sob a direção da coreógrafa Karyne Bittencourt, realizaram a abertura das apresentações do dia com uma coreografia comovente, baseada no conceito de amores líquidos.
Todo o processo de criação foi baseado em uma coreografia mais extensa que o grupo já havia apresentado em outros festivais. Para o FDT, a aposta foi reduzir alguns componentes do show. Devido a essa reestruturação, o espetáculo foi apresentado em uma versão pocket, ou seja, uma apresentação encurtada. Ainda assim, a concentração do número em um tempo menor não afetou o resultado final e continuou emocionando o público do Teatro Municipal de Uberlândia.


“Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.”, já dizia o sociólogo Zigmunt Bauman. A modernidade líquida, conceito amplamente abordado pelo polônes em suas obras, versa sobre uma sociedade dinâmica, volátil, que não se preocupa mais com as relações de forma fixa, conceito que foi representado pelo grupo na coreografia da noite.
“Quando a Karyne trouxe essa proposta, nós tivemos várias implementações, fizemos rodas de conversa para dialogar sobre a temática. Nós remodelamos o show para o FDT, e apresentar hoje foi incrível. É sempre muito bom dançar em casa, mas estar nos 30 anos do Festival, ocupando esse espaço, é realmente uma responsabilidade muito grande”, afirma a bailarina Camila Floro.
A Companhia de Dança Bittencourt nasceu em 1998 e, desde então, constrói diversos projetos e espetáculos de dança contemporânea e jazz.