Coreografias permitem que os corpos e os movimentos transitem em outros estilos musicais

Por: Vitória Pereira

A liberdade expressiva e a inspiração deram o tom para o estilo livre e o contemporâneo conjunto, na quinta-feira (25), no Teatro Municipal de Uberlândia, como parte da programação da Mostra Competitiva e Não-competitiva do 30º Festival de Dança do Triângulo (FDT). A noite foi permeada por uma mescla de estilos e por diversidade de coreografias e músicas. O FDT é realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU).
A inspiração em misturar diferentes gêneros musicais e de dança fez parte das apresentações de solos, duos e trios. Uma delas é a de Elizabeth, dançarina e professora há mais de 25 anos. A artista comenta que a junção se deu pela necessidade de explorar novos caminhos e ver possibilidades as quais poderia alcançar com a coreografia: “A minha dança é arábe, dança do ventre, mas irei fazer os movimentos com batida de outro som”, afirma.
Elizabeth enfatiza que a paixão pela dança é o fator principal ao participar do FDT. “A gente pensa no competitivo como um processo, no que vem antes de competir”, a dançarina explica sobre a dedicação em tornar visível toda a coreografia. Com os olhos marejados, ratifica que tudo o que faz é por amor. “O estilo livre abre essa brecha para que possamos nos reinventar, e espero que isso incentive outras pessoas”, finaliza.



É desse mesmo amor pelos palcos que partilha Alexander. Dançarino de hip hop e membro do grupo independente Fancy Black, Alexander relata o sentimento de quem retorna aos palcos depois de cinco anos sem estar se apresentando no FDT. “Eu estou muito feliz de poder estar de novo aos palcos e trazer minha essência, que é a cultura do hip-hop, e trazer uma mensagem ao público”, explica. A analogia foi a forma encontrada para Alexander demonstrar o significado da dança em sua vida: um menino negro que carrega o peso da cruz e a própria experiência como dançarino. A parte do renascimento acontece na improvisação e na mistura de ritmos, quando ele muda os passos da dança e improvisa com freestyle ao som do funk. O renascimento, para Alexander, foi o hip-hop, “A dança de rua pra mim é isso, renascimento”, afirma.
O Festival possibilitou liberdade para todos os dançarinos e companhias de dança realizarem suas artes e impactarem o público, transmitindo mensagens que, muitas vezes, devido ao cotidiano, são quase impossíveis de se perceberem. A Cia Cláudia Nunes Sesi apresentou uma performance sobre o impacto social das redes e a falta de contato social fora delas. “A nossa coreografia foi feita pela Claudia Nunes e Beatriz Abreu, queremos chamar atenção no pedido de socorro que acontece fora das redes, a vida não é tão bonita quanto as redes sociais mostram”, complementa Wender, professor e dançarino da companhia.
Galeria de Fotos – Créditos: Doo Fotografia




































