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O festival já começou!

Cine Dança convida a refletir sobre a realidade a partir da perspectiva do tradicional, do subjetivo e do ficcional

Evento, ocorrido na Oficina Cultural, contou com a exibição de videodanças e documentários e com bate-papo entre os produtores das obras

Por: Beatriz Ortiz

A Oficina Cultural de Uberlândia recebeu, na noite de quinta-feira (17), o Cine Dança, atividade integrante do 31º Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança do Triângulo (APDU). O evento contou com a exibição do curta-metragem “Olhos Sonoros”, de Fabrício César; da videodança “Faces”, de Cláudio Henrique Strondum e Fabrício César, e do documentário “Mestre Fabinho”, do projeto Entre Linhas, de Camila Amuy. Houve, também, um bate-papo com os produtores das obras. 

O curta-metragem “Olhos Sonoros”, com roteiro de Carla Vilela, tem a relação entre o corpo e o meio ambiente como campo de criação. Com uma perspectiva holística, ele navega pelos elementos da natureza – água, fogo, ar, terra e éter -, convidando o telespectador a desacelerar e a se conectar consigo mesmo por meio da arte. O vídeo também conta com cenas de entrevista realizada pela jornalista Mônica Cunha.

Para Vilela, a produção do vídeo representou um processo de autoconhecimento. “A ideia dos quatro elementos surgiu quando eu comecei a pensar na minha trajetória como artista. No meu percurso, eu perpassei todos os elementos, sendo que, em cada época da minha vida, eu me relacionei melhor com um deles. Então, fazer esse curta foi interessante para relembrar todos os momentos que eu vivi”, conta.

A videodança “Faces”, com produção geral do Viva Marketing Eventos e Cultura, convida o espectador a refletir sobre as diferentes faces que as pessoas exibem no dia a dia e sobre a busca delas, ainda que em meio aos ruídos e às distrações do mundo moderno, pela verdadeira essência do ser humano e por um sentido maior para a vida. O elenco é composto por bailarinos experientes e amadores.

“A obra apresenta a turbulência do cotidiano de uma pessoa que trabalha no escritório e que está sobrecarregada com suas perspectivas urbanas. Então, ela foge. E ela não sabe mais quem ela é, porque ela não é mais uma pessoa só: ela é várias. Ela não sabe se é branca, negra, homem, mulher, jovem ou idosa. E, mesmo nessa fuga, ela não deixa de sofrer a interferência constante da cidade”, apresenta o diretor Cláudio Henrique Strondum.

E o documentário “Mestre Fabinho”, produzido por Camila Amuy no projeto Entre Linhas, conta a história do uberlandense Fábio Vladimir Silva, conhecido como Fabinho da Dança, a primeira pessoa negra a abrir uma academia de dança em Uberlândia. O vídeo aborda questões como a tradição da família Chatão na cidade, a ancestralidade, a coletividade, a representatividade e, principalmente, a paixão pela dança e pelo teatro.

O documentário tem sido amplamente difundido em escolas. “Vários professores estão mostrando o vídeo para os alunos, com o objetivo de levar a arte e a cultura popular para dentro das escolas, e eu estou sendo convidado para dar palestras sobre o assunto em muitas delas. Isso está sendo magnífico, porque muitos alunos já têm se identificado com o Carnaval, o Congado e outras manifestações culturais, e isso está criando algo diferente”, celebra Fábio.

Para Strondum, à frente da organização do 31º FDT, as três obras complementaram-se no Cine Dança. “‘Mestre Fabinho’ aborda a tradição da população negra em Uberlândia. ‘Olhos Sonoros’ exibe as vivências de uma artista a partir de uma perspectiva subjetiva e humana. E ‘Faces’ navega entre o tradicional e o humano por meio da ficção. Então, os três trabalhos se completam enquanto formas de se pensar a realidade sob os aspectos tradicional, humano e ficcional”, conclui.

Os três curta-metragens tiveram apoio do governo federal e do governo de Minas Gerais, por meio da Lei Paulo Gustavo de Incentivo à Cultura. As obras, disponíveis gratuitamente no YouTube, contam com recursos de acessibilidade, como tradução para Libras e leitura descritiva. Para ter acesso às obras completas, basta acessar os links:

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