Espetáculo de dança contemporânea conquistou a plateia durante a abertura do 31º Festival de Dança do Triângulo no Teatro Municipal

Por: Beatriz Ortiz

A apresentação da peça “Para além das faces”, do Grupo Faces, abriu a programação artística do 31º Festival de Dança do Triângulo (FDT), realizada no último domingo (27), no Teatro Municipal de Uberlândia. O espetáculo de dança contemporânea, com 11 minutos de duração, é um remake da peça “Faces”, estreada pelo mesmo grupo de dança durante a abertura da 29ª edição do FDT, em 2023.
Com direção do dançarino e coreógrafo Cláudio Henrique Strondum, “Para além das faces” busca retomar o “Faces”. Mas, enquanto “Faces” ressalta que os rostos das pessoas carregam marcas das histórias vividas por elas, “Para além das faces” instiga o público a refletir sobre o que é possível construir para além das marcas, considerando desde a perspectiva dos nossos ancestrais até a nossa relação com a modernidade.



“O ‘Para além das faces’ retoma o ‘Faces’ justamente para valorizar a história dele. Não é possível ler uma obra de arte uma vez só: o processo pode ser repetido várias vezes, para que se tenha uma releitura. Da mesma maneira, a ancestralidade não é uma volta ao passado, mas algo que está sempre presente e que pode ser relido. Então, esse remake apresenta outros ângulos para olhar para a mesma obra de arte”, explica Strondum.
A apresentação de “Para além das faces” conquistou o público. Na plateia, o jornalista Victor Barão descreveu a experiência como uma “poética subjetiva” que busca tocar as emoções do público. “Você vai sendo levado pelo ritmo para dentro daquela história, daquele universo, e se sente de determinada forma sem nem entender direito por que está se sentindo assim. Há movimentos da dança que remetem a algo essencial do ser humano, às emoções mais primordiais”, resumiu.



A gerente do Sesc Uberlândia, Andressa Naves, que também estava no público, apreciou a originalidade do espetáculo e ressaltou a importância de valorizar os artistas locais e regionais. “Muitas vezes, nós temos acesso a exibições culturais de grupos de outras regiões que vêm até a nossa cidade para se apresentar, mas pouco vemos da nossa própria cultura, sendo que temos uma riqueza muito grande no Triângulo Mineiro”, comenta.
Com a apresentação de “Para além das faces”, o 31º FDT – que é organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU) – cumpriu a função de, assim como o espetáculo, lançar novos ângulos sobre o evento. “Afinal, o FDT não é um festival baseado apenas no ineditismo, mas também na história artística e naquilo que mantém a arte em si”, conclui Strondum.
Depois de “Para além das faces”, desenvolveu-se o espetáculo “Cartas Brasileiras”, da Raça Cia de Dança, de São Paulo, convidada especial do Festival.
Confira os registros abaixo:




