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O festival já começou!

“Outro eu” inicia o segundo dia de mostra profissional do Festival de Dança

Experimentação e busca por autoconhecimento marcam o início da noite no foyer do Teatro Municipal

Por: Luciene Teixeira

Créditos: Doo Fotografia

A Mostra Profissional Local do Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU), recebeu o artista Guilherme Augusto Soares Goulart, na segunda-feira (28). A performance “Outro Eu” motivou o público a refletir sobre coragem e as mudanças que o ser humano passa ao longo da vida.

Guilherme, que é bailarino premiado em jazz dance, professor e coreógrafo do Cristina Cará Centro de Dança, em São José dos Campos – SP, e graduando do curso de Teatro na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), explica que o espetáculo é inspirado em “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, de Clarice Lispector, uma das obras mais complexas da renomada escritora. 

No livro, que se inicia com uma vírgula, como se fosse a continuação de algo já iniciado, e termina em dois pontos, como a indicar que a história prossegue para além do que foi contado no livro, o leitor acompanha um ponto de vista feminino sobre a própria vida. É narrada a busca da protagonista, Lóri, por conhecer a si mesma, numa aprendizagem do amor e da vida, auxiliada pelo namorado, professor de filosofia. 

É nessa trama que Guilherme buscou inspiração para construir sua obra “Outro eu”, a qual é, também, uma demonstração da entrega do indivíduo às paixões que o movem. 

Guilherme conta que a apresentação no FDT é resultado de experimentações iniciadas em 2021 sobre manipulação de bonecos, dança e performance. Tais estudos mantiveram-se como trabalho de extensão da UFU, onde o artista participa do Programa de Iniciação Artística (Pina). Guilherme afirma que também foi fundamental o apoio da Cia It  ̶  na qual ele é artista cênico. 

“Esse trabalho vem de toda essa história, de uma inspiração no livro da Clarice Lispector e nessa noção do duplo, do outro eu, que está ali e que sente e que se transforma”, explica Guilherme. Sobre a participação no FDT, ele completa: “essa oportunidade de fazer no festival de dança foi muito importante para mim, porque foi uma primeira possibilidade de apresentar o trabalho. Acho que me impulsiona a continuar nessa pesquisa, pensando agora em outras coisas, vendo o olhar do público”.

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