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O festival já começou!

Imagens que ecoam: Exposição “Bailado da Urgência” propõe reflexão inadiável sobre arte, tecnologia e meio ambiente

Mostra de arte digital levanta questionamentos sobre conservação do meio ambiente, consequências da inteligência artificial e limites entre realidade e simulação

Por: Beatriz Ortiz

Créditos: Doo Fotografia

Quem passou em frente ao Teatro Municipal de Uberlândia na última semana (de 27/07 a 03/08), durante a noite, teve a oportunidade de vislumbrar uma série de imagens em movimento, projetadas nas paredes brancas do edifício. Era a exposição “Bailado da Urgência, Fronteiras do Real: Humanos, Natureza e o Futuro em Simulacro”, que integrou as atrações do 31º Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação de Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU). 

Com curadoria de Mary Borges e Cláudio Henrique Strondum, as imagens de “Bailado da Urgência” remetem não somente ao bailado dos dançarinos, mas ao movimento de todos os elementos da natureza: das folhas, das flores, das águas, dos pássaros e assim por diante. Já a ideia da urgência, segundo os curadores, vem da necessidade inadiável de pensar e discutir sobre a conservação do meio ambiente.

A instalação está em consonância com o tema do 31º FDT: Ecos da Responsabilidade Social no Cerrado. “A exposição de arte digital foi concebida com o objetivo de levar as pessoas a se questionarem sobre o lugar que elas ocupam no mundo e sobre seu papel diante dos desafios ambientais: se estão contribuindo para a degradação ou para a preservação e a reconstrução da natureza”, explica a curadora Mary Borges.

Outro ponto de reflexão da mostra remete a seu modo de produção: todas as imagens exibidas foram produzidas por Inteligência Artificial (IA) Generativa, apenas a partir de comandos estratégicos, sem utilizar nenhuma imagem como base. Como artista plástica, Borges considera que esse fator levanta novos questionamentos aos artistas. Além de “O que eu posso fazer para melhorar o mundo em que vivemos?”, ficam as questões: “Esse vídeo tem valor? Como trabalhamos a questão da arte neste novo cenário?”.

Como as imagens simulam o real, levantam reflexões sobre os limites entre realidade e simulação. “Assim como a fotografia não acabou com a pintura, a IA também deve encontrar seu espaço na arte. Ela já está presente em todos os lugares, vai continuar e a gente não pode fugir dela. Então, como vamos nos portar de agora em diante? Nós quisemos levantar esse questionamento no Festival”, comenta Borges.

A exposição tem o objetivo de alcançar vários públicos, desde crianças até idosos, e pessoas com e sem formação acadêmica. “A ideia era criar imagens que chamassem atenção, que ficassem na memória das pessoas e que despertassem nelas a vontade de preservar o meio ambiente. E mostrar que o meio ambiente não é só o que está fora: que eu faço parte dele, eu sou o meio ambiente e o meu corpo é o meu meio ambiente”, explica Borges.

A mostra teve aceitação geral do público. “Essa exposição me passou a mensagem de que a natureza é bela, de que precisamos cuidar dela e de que eu sou parte dela”, comentou a comerciante Ana Isabella de Souza, de 35 anos. Já o estudante Pedro Henrique da Silva, de 11 anos, contou que “não soube direito o que era de verdade e o que era feito por inteligência artificial, mas as imagens eram muito legais”.

Beatriz Ortiz

Sobre os curadores

Mary Borges é arte-terapeuta, artista plástica e professora de artes e de dança. Morou na fazenda até os sete anos de idade. Seu primeiro curso foi Técnico em Agropecuária. Depois, cursou Artes Visuais na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), além de frequentar uma disciplina no curso de Geografia, estudando solos do Cerrado. O seu trabalho final do curso de Artes Visuais, nomeado “Da minha terra, com terra, para todas as terras”, foi realizado com pigmentos naturais. Já atuou como Secretária de Cultura da Prefeitura Municipal de Indianópolis e como professora da Prefeitura Municipal de Uberlândia. 

Cláudio Henrique Strondum é graduado em Filosofia e em Artes Visuais pela UFU, além de Mestre e Doutor em Filosofia pela UFU. Realiza pesquisas sobre o corpo na perspectiva da filosofia ecológica, buscando a transdisciplinaridade entre Filosofia, Artes Visuais, Dança e Ecologia. Profissionalmente, atua com Dança Contemporânea desde 1987. Participou da fundação e direção do grupo Werther Pesquisa de Dança (1996/2002). É fundador do Grupo Strondum e membro da APDU.

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