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O festival já começou!

Entre técnicas e sensibilidades, workshop de ballet clássico capacita bailarinos mirins

Ministrado pela professora Flávia Burlini, atividade reuniu cerca de vinte crianças em um treinamento sobre integração do sentimento à dança

Por: Izadora Faria

Créditos: Fotógrafa Criss

No colorido dos trajes de ballet, o reflexo da beleza vibrante de uma arte que transforma, educa e desperta o encantamento. Muito além da técnica, o ballet clássico é sobre sentimento — aquele que atravessa o corpo, aflora no olhar e se revela em cada gesto delicadamente preciso, numa dança na qual o rigor encontra a leveza, e a expressão vira poesia em movimento. 

Essa expressão preencheu o foyer do Teatro Municipal de Uberlândia na manhã do sábado (02/08), durante o workshop de Ballet Clássico ministrado pela professora Flávia Burlini, do Centro de Dança do Rio de Janeiro, com o objetivo de promover a troca de saberes e o aperfeiçoamento pessoal dos bailarinos. A atividade faz parte da programação de seminários pedagógicos do 31º Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela  Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU).

Com cerca de duas horas de duração, o workshop foi dividido em duas partes. No primeiro momento, a turma de aproximadamente 20 bailarinos mirins aprendeu muito mais que os passos marcados de pas de bourrée, plié, frappé e adagio. Foi uma aula sobre a importância da emoção, da sensibilidade e do autoconhecimento para que a execução do movimento por cada corpo ganhe verdade e expressividade. 

“Uma aula de balé clássico precisa ser, acima de tudo, uma aula de dança”, afirma Flávia Burlini. Para ela, é essencial que, mesmo em meio à rigidez e à exigência da técnica, as crianças sintam-se vivas, belas e tocadas pela arte. “Se focarmos apenas na execução mecânica dos movimentos, perdemos o brilho nos olhos delas e o encantamento deixa de existir”, completa. Por isso, nas aulas, ela busca equilibrar disciplina e expressão, mostrando que o balé também pode ser leveza, emoção e renovação. 

Já na segunda parte, o workshop foi direcionado para professoras de dança, que participaram de uma roda de conversa para discutir metodologias pedagógicas e abordagem direcionada ao público infantil. “Falamos sobre o que é primordial: ter vocação para trabalhar com crianças. Isso faz toda a diferença no processo de desenvolvimento delas, porque o importante é oferecer autoconhecimento e consciência corporal”, explicou Flávia. 

Um caminho para novas oportunidades

“A gente não quer só comida; a gente quer comida, diversão e arte”, já dizia a banda Titãs, nos anos 1980. Mais de quatro décadas depois, o acesso e a promoção da cultura, no Brasil, ainda enfrenta obstáculos, especialmente nas regiões do interior. Nesse cenário de resistência, o Festival  de Dança do Triângulo cumpre o importante papel de ampliar o alcance da arte, promovendo encontros que aproximam diferentes públicos da  linguagem da dança. 

Para as famílias que sonham ver seus filhos crescendo por meio  da arte, ter a chance de aprender com professores renomados, em uma estrutura acessível e acolhedora, é um privilégio. “Achei importante as crianças terem esse privilégio de aprender com profissionais tão capacitados. Nunca imaginei que minha filha teria essa oportunidade”, conta Valdirene Gonçalves Nogueira, mãe de uma das bailarinas participantes do workshop. 

Impacto que vai além dos limites de Uberlândia. Pessoas de municípios da região, como Centralina, também puderam vivenciar a experiência do FDT, como foi o caso da pequena Layandra Eduarda Moreira, de 10 anos, da Escola de Dança Fazendo Arte. “A dança é muito especial pra mim, e nessa aula de hoje aprendi coisas que eu nem conhecia. Gostei bastante”, conta. 

Com iniciativas como essa, o Festival reafirma seu compromisso com a formação artística e com a descentralização do acesso à cultura. Ao abrir espaço para a participação de crianças, professores e bailarinos de diferentes cidades, o evento consolida-se como ponte entre sonhos e oportunidades — semeando, em cada canto da região, a certeza de que a arte pode transformar vidas, mover trajetórias e inspirar futuros.

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