Espetáculo premiado de Mário Nascimento mistura resistência, memória e potência amazônica

Por: Brenda Mesquita

Em uma articulação de memória, resistência e potência amazônica, o Corpo de Dança do Amazonas (CDA) apresentou o espetáculo “TA | Sobre Ser Grande”, no domingo (03/08) como parte do encerramento da programação do 31º Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU). O espetáculo, dirigido por Mario Nascimento, é uma obra que nasceu durante a pandemia e reflete sobre a força da floresta, dos povos originários e das comunidades invisibilizadas.
Segundo o diretor, o trabalho surgiu em meio às perdas e aos desafios que atingiram duramente o estado do Amazonas durante a covid-19. “O espetáculo nasceu na pandemia, quando o Amazonas sofreu de forma trágica com a falta de oxigênio e tantas mortes. A companhia seguiu trabalhando remotamente, com lives e pesquisas, e nesse processo começou a criação de “TA”. Em ticuna, TA significa ser grande: a floresta, os rios, os povos originários”, explica Mário Nascimento. “Estando no Amazonas, entendi a dimensão dessa tragédia e a grandeza desses povos, verdadeiros protetores da floresta e do meio ambiente. Essa obra fala da resistência deles e da importância de preservar não só a Amazônia mas também as culturas que a guardam”, destaca.



Com 22 bailarinos em cena, a coreografia mistura tradição e urbanidade e evoca tanto os cantos e sons da floresta quanto o ritmo urbano de Manaus — uma capital marcada pela diversidade cultural e pela pressão da urbanização. A trilha sonora, criada em parceria com o DJ Marcos Tubarão, foi executada ao vivo, mesclando sons da natureza, barcos, cantos indígenas e batidas urbanas, compondo um ambiente imersivo.
O bailarino Osvaldo Malaquias, integrante da companhia desde 2008, reforça a importância da obra para a representatividade amazônica. “O Mário trouxe uma nova roupagem para o grupo, fortalecendo ainda mais a questão dos povos ribeirinhos e indígenas, mas com uma linguagem contemporânea, mais livre e atual. Esse espetáculo cresceu porque conseguimos integrar nossas individualidades e dar voz ao ser amazônico. É muito representativo da nossa região e foi emocionante poder apresentar em Uberlândia. Fomos muito bem recebidos e abraçados pelo festival”, comenta o artista.



A presença do CDA no Festival de Dança do Triângulo foi celebrada como um marco. Mario Nascimento, emocionado com o reencontro com o evento, resumiu: “Tenho um carinho especial por esse festival, já estive aqui há quase 20 anos e sempre o considerei um espaço fundamental para a dança no Brasil. Trazer a companhia agora foi um grande desafio pela distância, mas também uma grande alegria. Fomos acolhidos com profissionalismo e carinho. Vida longa ao festival — ele é essencial para a dança brasileira”, finaliza.
O espetáculo encerrou a noite sendo aplaudido, em pé, pelo público, em uma atmosfera de reverência e emoção, reafirmando o papel da dança como espaço de resistência, memória e celebração da vida.
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