Evento conquista importância no cenário nacional como espaço de criação, inclusão, reflexão e celebração da arte em movimento

Por: Brenda Mesquita

O Teatro Municipal de Uberlândia transformou-se em espaço de celebração, despedida e renascimento, na noite de domingo (03/08). O público uberlandense esteve presente em grande número e prestigiou o encerramento da 31ª edição do Festival de Dança do Triângulo (FDT), que neste ano trouxe como tema “Ecos da Responsabilidade Social no Cerrado”.
Foram 26 dias de programação, espalhando dança por praças, parques, hospitais, escolas e palcos de Uberlândia, Uberaba e Araguari. Da rua ao teatro, da infância à maturidade, do popular ao contemporâneo: Uberlândia respirou dança em todos os cantos.
Organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU), o festival consolidou sua continuidade e estabilidade. Para Vanilton Lakka, presidente da APDU, essa sequência trouxe maturidade à produção e confiança do público. “Na medida em que continuamos o processo, conseguimos verificar erros, ajustar e replicar acertos. Esse terceiro ano marca uma estabilidade, tanto para a equipe de produção quanto para os artistas. A cidade também responde mais confiante e ampliamos as conexões com outras instituições e festivais. O caminho agora é avançar no que já está dando certo”, reforça o presidente.



A programação da 31ª edição do FDT teve início, no dia 09 de julho, com os palcos livres, envolvendo desde Bordança, Palco Criança, Palco Saúde, Baile de Gerações Flash Back até EcoSítio, Noite de Gala Dança de Salão e Extensão nas Cidades de Araguari e Uberaba. Entre os dias 27 de julho e 3 de agosto, o Teatro Municipal e diversas localidades de Uberlândia receberam seminários pedagógicos, mesas, palestras e oficinas. Sete cursos exploraram linguagens que foram do Afro-Contemporâneo ao Ballet Infantil, do Urbano-Contemporâneo ao Lyrical Jazz, das Danças Urbanas às Danças Orientais.
As mostras competitivas e não competitivas reuniram mais de 300 coreografias, que trouxeram ao palco a diversidade da dança em todas as idades: da Mostra Infantil ao +60, da Dança Livre ao Ballet, passando pela Mostra Catira, pela estreia da Mostra K-Pop e pela Mostra de ONGs, que revelou tanto trabalhos emergentes quanto consolidados.



A cerimônia de encerramento também destacou bailarinos, grupos e coreografias que se sobressaíram ao longo da programação, demonstrando como o festival ainda atua como vitrine de novos talentos e espaço de reconhecimento artístico.
Entre os destaques individuais, Marcella Maria Gomes de Matos foi consagrada como Bailarina Destaque, enquanto Kauan Borges Gonçalves recebeu o título de Bailarino Destaque, celebrando sua expressividade e presença de palco. Na categoria coletiva, a coreografia “Hogwarts em Movimento” conquistou o prêmio de Coreografia Destaque, encantando o público pela originalidade e pela criatividade da proposta. Já o Grupo Jovem Praia Clube foi reconhecido como Grupo Destaque, reafirmando a força e a consistência do trabalho desenvolvido pela companhia.
O festival também celebrou iniciativas transformadoras, como o Prêmio Estímulo Social, entregue ao grupo Red Hot, pela relevância de seu impacto e engajamento comunitário.



Conexões nacionais e internacionais
O festival recebeu companhias de destaque, como a Cia Raça (SP), o artista Fábio Costa (BH) com apoio do SESC, a Cia Marcat Dance (Espanha) e, pela primeira vez em Uberlândia, o Corpo de Dança do Amazonas (CDA).
A última noite foi marcada pela apresentação do CDA, que trouxe ao palco o premiado espetáculo “TA | Sobre Ser Grande”, de Mário Nascimento, nascido em meio à dor da pandemia, que ressoou como uma homenagem à força da floresta, dos povos originários e das comunidades ribeirinhas.
Com 22 bailarinos em cena, a coreografia fundiu sons da natureza e batidas urbanas, transportando o público para um território onde a tradição dialoga com a contemporaneidade. A trilha sonora, ao vivo, reverberou como um coração pulsante, ecoando rios, ventos e vozes ancestrais. Ao final, o público levantou-se em aplausos demorados, em reverência ao poder da arte que atravessa fronteiras.



Vida longa ao Festival de Dança do Triângulo
O festival amadureceu, conquistou confiança de artistas e instituições, e agora caminha com passos firmes para o futuro. Para o diretor da APDU Cláudio Strondum, a dimensão educativa e ecológica da edição foi um diferencial. “Levamos a dança ao parque, ao hospital, ao campo. Abraçamos a comunidade e, no retorno, fomos abraçados por ela. Criamos um verdadeiro ecossistema de arte e reflexão”, afirma. Para a produtora e diretora da APDU Mary Borges, a edição foi sinônimo de emoção. “Sentimos este ano a cidade vibrar novamente pelo festival. Os bailarinos estavam engajados, os palcos cheios, o público presente. O festival voltou a pulsar com força”.
O encerramento não foi apenas um ponto final, mas o ápice de uma travessia que começou no Palco Livre do Pátio Sabiá, passou pelo riso das crianças na Mostra Infantil, pelo resgate da tradição na Mostra Catira, pela explosão juvenil da Mostra K-Pop, até chegar ao palco principal, onde mais de 300 coreografias deram corpo ao tema “Ecos da Responsabilidade Social no Cerrado”.



O festival mostrou que a dança pode curar, educar, transformar. Que pode ser raiz e também voo. Que pode nascer no chão vermelho do cerrado e ganhar o mundo através das conexões estabelecidas com festivais do Brasil, de Barcelona e do Equador.
Se o tema foi “Ecos da Responsabilidade Social no Cerrado”, fica a certeza de que esses ecos não se calarão. Eles continuam ressoando nos corpos que dançam, nas plateias que se emocionaram e em toda a comunidade que acredita que a arte transforma vidas. O 31º Festival de Dança do Triângulo despede-se, mas deixa no ar o desejo do próximo passo.





