Intercâmbio de conhecimentos valoriza as diversas etapas do processo criativo na produção de figurinos para a dança

Por: Júlia Almeida

Quando as luzes se acendem no palco, vemos artistas e, junto com eles, seus figurinos, tecidos que brilham e fluem, e ,mesmo antes de eles começarem a se movimentar, a arte já está ali: eles estão vestidos dela. A Oficina Mergulho Criativo no Universo do Figurino para Danças aconteceu nos dias 18 e 19 de Dezembro de 2025, no SESC, em Uberlândia, e faz parte da programação estendida do Festival de Dança do Triângulo (FDT). O FDT é organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU) e movimenta a cidade e a região com programação variada entre apresentações e oficinas que possibilitam a imersão em diversas temáticas que atravessam a dança.
Tecidos, alfinetes e máquinas de costura preencheram a oficina elaborada e realizada por Letícia Pinheiro, formada em Teatro e Moda e figurinista no curso de Teatro e Dança na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Letícia propôs na oficina uma imersão criativa. Em seus dois dias, os momentos mesclaram a teoria e a prática, a partir de experimentação, evidenciando a importância de se pensar em todas as etapas do processo criativo na produção de figurinos para a dança.



A proposta inicial de Letícia modificou-se a partir do contato e da troca de experiências que ela teve com as participantes da oficina: “tinha duas costureiras, a gente pensou: ‘Ah, vamos tentar construir algo?!’ E aí eu levei a minha máquina, a outra costureira levou a máquina dela de costura também. E aí, a partir da proposta de duas meninas que eram da dança, a gente criou um figurino para elas experimentarem lá”. O intercâmbio de conhecimentos enriqueceu o momento pedagógico e proporcionou reflexões, principalmente voltadas à valorização das profissionais que realizam a costura, mas também de figurinistas envolvidas em um processo criativo, considerando diversos conhecimentos, dentro e fora da universidade.
Letícia evidencia a importância do figurino e como ele também se vincula ao movimento em um espetáculo. “A gente está criando uma linguagem ali e está comunicando algo. Então, eu acho que ele (figurino) pode contribuir. Muitas vezes o cenário brilha mais, porque outras vezes é mais o figurino, outras vezes é mais a atuação e essas coisas juntas, mas pensar sobre isso é muito importante no processo de criação de todas as pessoas que estão envolvidas, como ator, diretor e o restante, para pensar junto e para quem está vendo”, completa a oficineira.



A proposta da oficina retoma aspectos necessários do fazer artístico, evidenciando que, para existir uma apresentação no palco, muitos profissionais e processos estão envolvidos, pois tudo comunica, seja o figurino, a luz, o som. Para uma expressão artística acontecer, ela precisa de outras, em uma espécie de entrelaçamento Por isso, a presença desse momento pedagógico é necessário para o FDT, que busca valorizar os diferentes aspectos artísticos envolvidos na dança.
É o que explica Vanilton Lakka, integrante da diretoria da APDU e um dos organizadores do FDT. “A oficina cumpre essas duas funções. A primeira é de entender o papel que o figurino tem na cadeia produtiva como um todo da dança, que é uma possibilidade de se articular com a dança. Por outro lado, do ponto de vista da criação, de como essas outras dimensões atuam também de forma ativa na criação e não só como elemento que vem dar um suporte e fica de alguma maneira coadjuvante. Elas muitas vezes são uma matéria muito central dentro das criações em dança”, comenta Lakka.
Confira os registros desse dia:














