Ao entrelaçar as áreas da dança e da música, o momento pedagógico enfatizou a importância do conhecimento técnico dos profissionais envolvidos no universo artístico

Por: Júlia Almeida

As ondas sonoras encontram os movimentos da dança preenchendo o espaço de som. As duas formas de expressão artística existem de maneira independente, mas, quando se entrelaçam, criam uma narrativa. A sonorização de qualquer ambiente exige técnica, preparo e atenção aos detalhes. Ao pensar nisso, o Festival de Dança do Triângulo (FDT) — organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU) —, em parceria com o SESC Uberlândia, promoveu, entre os dias 15 e 19 de dezembro de 2025, a Oficina Técnicas de Sonorização, que faz parte da programação estendida do FDT.
A oficina, ministrada por Cláudio Roberto, propiciou um momento pedagógico com o objetivo de capacitar e formar diferentes agentes culturais para atuação na sonorização de eventos culturais. Claudio, que é técnico de som com formação em cursos especializados na área e pós-graduado em Engenharia Acústica, explicitou, ao longo dos cinco dias de oficina, a importância da constante capacitação para lidar, por exemplo, com novas tecnologias e equipamentos e com os detalhes exigidos na profissão.



A proposta desse momento surgiu a partir da necessidade percebida por Claudio de promover o acesso da comunidade a conhecimentos teóricos na área da sonorização, para facilitar a comunicação entre diferentes profissionais que trabalham em um projeto cultural: “Nos teatros é necessário que cada peça, cada apresentação tenha um técnico para acompanhar o evento. E muitas vezes as pessoas que chegam para acompanhar não têm formação técnica, não sabem como funciona uma mesa de som ou o microfone e no meio do evento surgem muitos problemas”, explica. Para Claudio, a formação é importante para que os agentes culturais consigam utilizá-la nos próprios projetos ou quando se comunicam com projetos de terceiros.



É o que também pontua Vanilton Lakka, integrante da diretoria da APDU e um dos organizadores do FDT. Segundo Lakka, historicamente a música estabelece conexões com a dança. Então existe a necessidade que os profissionais da dança, compreendam aspectos técnicos relacionados à sonorização, e a música: “A dança, é uma arte autônoma com relação à música, assim com a música em relação à dança, ainda assim, há uma articulação muito intensa entre as duas. É importante que o profissional de dança entenda de música, mesmo que ele não vá atuar como músico ou técnico de sonorização, pois, ele deve ser capaz de minimamente, conversar com o profissional de música e conseguir apresentar as demandas da sua coreografia ou espetáculo dança” comenta. Para Lakka, a oficina aproxima essas dimensões da música e da dança. Isso é perceptível, também, na fala de Claudio Roberto, que compreende a necessidade de melhor comunicação e diálogo entre os profissionais envolvidos em um evento cultural.



O processo que envolve a sonorização é complexo e extrapola o ambiente do teatro e o momento do evento. É necessário um projeto de sonorização prévio, que contemple detalhes, necessidades e adequações às diversas apresentações artísticas, é o que evidencia Claudio: “A parte da dança hoje, a dança contemporânea e vários outros estilos, precisa de microfonação. Por exemplo, a catira e o sapateado precisam de microfones para a captação dos sons do sapateado, dos sons da viola que acompanha a catira”. O especialista explica que são feitas reuniões técnicas para pensar as particularidades de cada instrumento e dança, para fazer um levantamento de materiais do espaço ou buscar outros equipamentos.
O momento pedagógico foi dividido em cinco módulos, entre os quais estavam a introdução e a sonorização, equipamentos utilizados, mesa de som e amplificadores. Para Claudio, houve muita participação do público, principalmente quanto às discussões sobre as mesas de som. Depois de três dias com ênfase em estudo teórico, o quarto dia contou com atividades práticas: “Nós montamos duas mesas de som, uma analógica e outra digital. Pegamos alguns instrumentos disponíveis lá e fizemos a mixagem, a equalização desses instrumentos”.



No quinto dia, os participantes da oficina aprenderam sobre um software que pode ser uma ferramenta interessante para sound designers: “A gente faz uma automatização do processo de música e consegue também fazer correções de música, correção de volume, correção de equalização na música”, explica Claudio. Equalizar uma música é o processo de equilibrar, harmonizar os diferentes elementos que fazem parte dela, algo muito importante em festivais como o FDT. Ao todo, os cinco dias promoveram troca de experiências entre os participantes, que aprofundaram seus conhecimentos nas ferramentas e equipamentos utilizados por eles.
Confira alguns registros da oficina:


