Oficina de multilinguagem do FDT ensina alunos do curso de Teatro sobre a importância do domínio da fala

Por: Izadora Faria

A noção de “corpo vazado” é defendida pela atriz, diretora, preparadora de elenco e pesquisadora, Ana Kfouri, em seu livro “Forças de um Corpo Vazado”. A pesquisa da artista faz relação corpo-palavra no campo intensivo das artes de cena e defende a palavra como um ato inaugural. A autora propõe que trabalhar corpo-palavra como campos de forças e de forma a não dissociar a palavra da sua relação com o corpo. No livro, Ana defende o ato de falar como um lugar de potência na cena contemporânea.
Como não poderia ser diferente, a oficina ministrada pela convidada do Rio de Janeiro começou com a palavra. Dividida em duas partes, essa fase inicial teve como objetivo, além de conhecer a turma, mostrar que a fala é uma força corpórea e não apenas um meio de expressar uma ideia.
“Essa primeira conversa é importante para atentar os alunos sobre uma concepção dominante nas artes cênicas que dita que o corpo é subordinado à palavra e esta, por sua vez, a uma ideia. Não podemos pensar em uma dicotomia tão simples assim. Esses dois conceitos se tensionam e se relacionam dentro de um campo muito maior”, comenta Ana Kfouri.



Na segunda parte da aula, os alunos praticaram exercícios de respiração para compreender a potencialidade da expressão vocal em conjunto com a mobilidade corporal. Deitados no chão, eles treinaram técnicas respiratórias, trabalhando partes específicas do corpo que ajudariam na leitura de textos selecionados pela oficineira, durante 30 minutos ininterruptos.
A Oficina “A Palavra como Campo de Forças” foi uma das atividades do Festival de Dança do Triângulo focada em abordar as multilinguagens artísticas como o teatro, a música, as artes visuais e o cinema. A aula ocorreu no sábado (20), no Sesc Uberlândia, um dos parceiros da 30ª edição do Festival de Dança do Triângulo. O FDT é realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU).