Cada vez menos parecido com os festivais tradicionais, o FDT se estabelece no cenário artístico brasileiro oferecendo mais possibilidades para a dança

Por: Izadora Faria

“Por que estamos aqui?” Essa foi a reflexão proposta pela bailarina e coreógrafa Andreia Gaia, que reverberou durante a Primeira Mesa Redonda, quinta-feira (25), da 30ª edição do Festival de Dança do Triângulo (FDT), realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU). Com uma abordagem diferenciada dos anos anteriores, o encontro reuniu dançarinos, jurados e professores para discutir o tema: “Qual é o papel da formação dos festivais de dança no cenário brasileiro contemporâneo?”.
Chegar a um denominador comum não levou nem duas horas. Assim como 2+2 é igual a 4, a resposta ficou clara para todos os participantes. “Estamos aqui para plantar uma semente, para que as pessoas tenham vontade de fazer arte e para incentivá-las a colher bons frutos no campo da dança”, respondeu a bailarina à sua própria pergunta.
No entanto, conseguir esse resultado em um país, onde a cultura ainda é bastante desvalorizada e ser artista é um ato de resistência, não é tarefa fácil. O desafio tem sido criar um festival diversificado em um espaço onde a competição muitas vezes é mais incentivada – por ser mais rentável – do que a integração, o crescimento pessoal e coletivo e a acessibilidade da comunidade à arte.
Para alcançar esse objetivo, as companhias de dança têm um papel muito importante que precisa ser mais bem trabalhado, explica a Gestora da Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara (SP), Sabrina Kelly, uma das juradas convidadas. “O Festival de Dança do Triângulo oferece uma variedade de atividades, como mostras competitivas e não-competitivas, conversas, seminários e oficinas. Ele vai além do aprendizado tradicional, demonstrando que o desenvolvimento na dança envolve mais do que apenas ‘saber dançar’. É crucial que o que é praticado aqui seja incorporado também às academias.”.



Promover um evento expandido, que explore muito mais o desenvolvimento da arte que a competição propriamente dita, é uma das conquistas da APDU. Pelo segundo ano consecutivo realizando o evento, a proposta da associação é criar algo original e integrado à comunidade, a partir da ruptura de padrões pré-estabelecidos pelos festivais tradicionais.
A soma de todos esses elementos resultou em um conjunto rico e diversificado, no qual a interseção entre arte, comunidade e inovação está dando origem a um evento singular e inspirador. “A premissa do FDT é popularizar a arte e valorizar nossa cultura local, possibilitando que os artistas de Uberlândia que não possuem condições de ir a festivais de fora possam participar de um evento de alto nível em sua própria cidade”, explica o Presidente da APDU, Vanilton Lakka.
Entre reflexões sobre esta edição e ideias para as futuras, a mesa redonda foi uma oportunidade de pensar outras possibilidades da dança e celebrar este trabalho feito por inúmeras mãos, como reforça o coreógrafo e jurado convidado Evandro Hegel: “Não são só bailarinos que trabalham com dança, o festival acontece com a soma de várias pessoas que contribuíram sem serem dançarinos. Mais importante que o evento em si é o caminho que ele vai traçando para explorar as inúmeras oportunidades que a dança proporciona.”. O Festival de Dança do Triângulo é como uma equação complexa: suas variáveis não são apenas a competição e a técnica, mas também a integração e o crescimento coletivo. Enquanto a competição pode representar um valor fixo e previsível, a verdadeira beleza da dança – e do festival – está na capacidade de somar e multiplicar experiências, talentos e possibilidades, resultando em uma rica expressão artística que transcende as fórmulas tradicionais.
