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O festival já começou!

Palestra sobre Festival Social Tudanzas compartilha experiências e movimenta ideias sobre dança na comunidade

A palestrante portuguesa Ana Leitão apresentou o Tudanzas, iniciativa voluntária realizada em Barcelona, e abriu diálogo para conexões com o Triângulo Mineiro

Por: Beatriz Ortiz

O Teatro Municipal de Uberlândia recebeu, no último domingo (27), Ana Leitão, coreógrafa e docente da Universidade de Lisboa, que ministrou uma palestra sobre o Festival Social Tudanzas, uma iniciativa voluntária realizada em Barcelona, na Espanha. A conversa, mediada por Patrícia Chavarelli, docente da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), integrou a programação do 31º Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU).

O Tudanzas é um festival social e comunitário que ocorre anualmente nos bairros históricos de Sant Pere, Santa Caterina e La Ribera, no centro de Barcelona, desde 2012, com o objetivo de retomar o valor social, comunitário e político da dança. A programação do Festival inclui dança contemporânea, dança-teatro, performances, concertos, meditação, ioga, projetos comunitários e interdisciplinares, entre outras modalidades. 

Em sua palestra, Leitão apresentou a origem, os objetivos, o modelo de organização e a importância do Festival Social Tudanzas para a comunidade. Mas, para além do relato de experiência sobre esse evento, a atividade foi importante para movimentar as ideias sobre possíveis formas de organização de festivais e de ocupação do espaço público no Triângulo Mineiro. Para o gestor cultural William Luciano de Oliveira, que assistiu à palestra, o que mais o tocou foi a forma como o projeto Tudanzas construiu senso de pertencimento. 

“Ver que um trabalho que muitas vezes começa de forma individual, enfrentando desafios como a falta de recursos — como é o caso do Tudanzas, que começou com apenas uma pessoa e 10 euros —, pode evoluir até alcançar uma dimensão coletiva e plural é muito inspirador. A proposta do Festival, de promover o encontro entre diferentes realidades sociais e culturais, integrando diversas linguagens artísticas, nos motiva a pensar em como aplicar esses aprendizados nos nossos próprios projetos”, reflete Oliveira.

O presidente da APDU e principal organizador da atividade, Vanilton Lakka, diz que a reflexão proposta por Leitão também amplia as conexões entre os festivais de dança e cria pontes entre territórios, possibilitando a circulação de pessoas de Uberlândia para outros contextos e vice-versa. “Esse encontro é, acima de tudo, um espaço de troca e reconhecimento mútuo, em que cada festival observa o outro para entender o que pode se conectar, o que se mistura e o que pode ser incorporado”, pondera.

Leitão confirma que a conexão, ainda em formação, entre o Tudanzas e o FDT aponta para um caminho de trocas entre territórios. “Seria maravilhoso, no futuro, realizar intervenções, como receber integrantes do Tudanzas para virem atuar como coreógrafos em projetos comunitários por aqui e, em contrapartida, enviar artistas locais para lá. Temos uma abordagem muito particular sobre arte comunitária, e essas metodologias específicas, quando compartilhadas, podem gerar frutos em diferentes contextos”, conclui.

Festival Social Tudanzas

O Festival Social Tudanzas nasceu em um contexto urbano marcado por tensões sociais e culturais. Despontou em uma região com forte presença de imigrantes — especialmente da Colômbia, do Marrocos e da Albânia —, muitas vezes estigmatizada como “perigosa” pelos moradores da cidade e que passava, em 2012, por um período de efervescência política, com movimentos populares como o 15M e 29M, que ocupavam espaços públicos em defesa de direitos sociais. 

Foi nesse ambiente de mobilização que Ana Leitão iniciou, de forma independente, atividades de dança em um espaço comunitário do bairro. “Eu comecei a fazer atividades de dança no Casal de la Figuera, um espaço público com gestão comunitária, sendo a primeira a levar dança para lá, e isso foi transformando o entorno”, conta. Com o tempo, a ocupação artística ajudou a transformar a dinâmica do bairro: espaços antes evitados pela população passaram a ser ocupados de maneira a promover convivência entre grupos que antes pouco interagiam. 

Leitão destaca que o Tudanzas nunca teve como objetivo replicar um modelo fixo, mas provocar a pergunta: “Como nós podemos habitar um espaço de forma mais aberta, mais nossa?”. Segundo ela, o próprio fato de permanecer com a dança naquele território ajudou a reconfigurar relações e a criar um sentimento de pertencimento. “A dança já existia lá, mas fomos os primeiros a trazê-la como linguagem central, ocupando e transformando o espaço com o corpo, com o coletivo”.

Ainda hoje, o Festival Social Tudanzas, gerenciado pela Associação Cultural Tudanzas, traz uma série de benefícios para a comunidade, como ocupação do espaço público, intercâmbios culturais, formação de vínculos com as entidades do bairro, aceitação e integração com os vizinhos, criação e exposição de projetos comunitários e aumento das atividades que usam o corpo. Neste ano, ele contou com o apoio do Centro Comunitário Pou de la Figuera, do Espaço Jovem Palau Alós e do Centro de Convivência para Idosos do Centro Histórico.

O Teatro Municipal de Uberlândia recebeu, no último domingo (27/07), a coreógrafa e docente da Universidade de Lisboa (ULisboa) Ana Leitão, que apresentou a palestra “Festival Social Tudanzas: a Dança como veículo e ponto de encontro de artes, culturas e seres”. A conversa, mediada pela docente do curso de Dança da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Patrícia Chavarelli, integrou a programação do 31º Festival de Dança do Triângulo (FDT).

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