Acompanhadas da voz e do violão de Tarcísio Manuvéi, Solas de Ouro e Helena Viola emocionam plateia do Festival de Dança do Triângulo

Por: Luciene Teixeira

A semana de mostras competitivas e não competitivas do Festival de Dança do Triângulo (FDT) começou com grande emoção ao trazer ao palco do Teatro Municipal a tradição da viola caipira, com Tarcísio Manuvéi e Gleisyla Carvalho, e da catira, com Helena Viola e o grupo Solas de Ouro na segunda-feira (28).
Tarcísio Manuvéi, representando a Orquestra Viola das Gerais, tocou e cantou, acompanhado por Helena na viola e por Gleisyla na voz, cinco músicas da tradição popular escolhidas para retratar ritmos distintos, como samba caipira, toada e forró, no recortado mineiro. Na sequência, o violeiro anunciou a companhia do grupo Solas de Ouro, representado no FDT por quatro dançarinas, o qual inova no gênero catira, tipicamente praticado por homens.
O violeiro explica: “o Grupo Solas de Ouro fez uma participação em que a gente fez uma mistura, que foi de mostrar cantando o catira e cantando a folia de reis ao mesmo tempo, que são duas culturas tradicionalíssimas mesmo, que vieram para o Brasil através dos colonizadores, os portugueses trouxeram para o Brasil”. Tarcísio esclarece que a catira remonta à época da colonização e representa uma dança indígena à qual os jesuítas acrescentaram o tocar da viola, ou seja, é preciso que haja dançarinos para se realizar, “por isso que chama catira, é a troca dos dois, do tocar da viola e do dançar, é uma dança que não tem como executar com aparelho eletrônico, porque a viola acompanha o dançar”.



A música do violeiro acompanhou os passos ritmados e as palmas sonoras de Jéssica Dutra, Paula Vitória Marra, Anna Luísa Fonseca e Maria Vitória Nogueira, as quais são parte do grupo Solas de Ouro, criado por Bruna Maximiniano. Embora seja uma cultura iniciada e difundida pelo interior do Brasil, principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, por homens, os bandeirantes, a ideia do grupo que já se apresentou até em Barretos é expandir a tradição não só entre mulheres mas também entre a população.
Também o ludum foi demonstrado na apresentação do FDT: “um momento em que você faz o catira de par ou sozinho também, no ludum individual, a gente faz num ritmo que chama cipó preto, que é uma batida mais seca”, explica Tarcísio. Esse ritmo foi tocado quando Helena deixou o instrumento e passou a dançar acompanhada da viola de Manuvéi.
As apresentações de viola e catira emocionaram o público. Para Paulo Teixeira (70), “ouvir a viola caipira e as músicas de raiz traz de volta a infância na roça”. Já para o pequeno Lipe, de oito anos, que teve contato com a catira na escola em preparação para a festa junina deste ano, “o que mais gostei da noite foi da catira e do Sementes do Amanhã, muito lindos”.
Mas o início da noite não foi emocionante apenas para o público, a cantora Gleisyla, que está em Uberlândia há pouco mais de um ano e participou do FDT com Manuvéi em duas apresentações ̶ a primeira no Sítio Videiras ̶ deu seu depoimento: “Eu fiquei muito encantada com o formato do evento, com cada apresentação dos grupos que estavam ali presentes, cada um mostrando a sua arte através da dança, cheio de autenticidade e uma energia contagiante, eu fiquei encantada demais”.
Para Tarcísio Manuvéi, as participações em 2025 ̶ no Sítio Videiras e no Teatro ̶, pelo segundo ano consecutivo, são uma forma de “preservar essa cultura tão tradicional, de mostrar para as pessoas que dançam, também das outras áreas, para perceberem que isso aqui é nosso, a gente não está copiando de outro país. Isso aqui é nosso, nasceu com a gente. É igual à jabuticaba, só tem no Brasil”.
O Festival de Dança do Triângulo, organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU) segue com sua programação até 3 de agosto. Tarcísio e Orquestra Viola das Gerais se apresentarão no Festival Cultural UAI SÔ! no Camaru, dia 31 de agosto, no aniversário da cidade.