De crianças a idosos, dançarinos agitaram e emocionaram o público no terceiro dia de mostras competitiva e não competitiva

Por: Luciene Teixeira

A participação dos dançarinos em solo, duo ou conjunto, em apresentações competitivas e não competitivas, foi acompanhada por um público atento na quarta-feira (30), no Teatro Municipal de Uberlândia. O terceiro dia de mostras do 31 º Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU), esteve dedicado predominantemente à dança contemporânea, mas contou com a participação de dois grupos adultos de dança de salão.
Ao longo da noite, a plateia assistiu fascinada a 33 apresentações. Foram 2 conjuntos infantojuvenis: o grupo Ballet.art, com a coreografia “Despertar”, e o Dançarte, da Associação Crê Ser, com “Fugitivas desse mundo”, que conquistou a terceira colocação na sua estreia na mostra competitiva. Daniela Gusmão, fundadora do projeto Dançarte e professora de dança, explica que “essa coreografia relata um pouco da necessidade de fugir deste mundo caótico, deste mundo de desespero para outra realidade, sem violência, sem dor”. Tal proposta combina com o objetivo do projeto, que dá oportunidade a crianças de 3 a 14 anos em situação de vulnerabilidade, no bairro Canaã, de também fazerem parte da cultura da dança.



Houve apresentação solo infantojuvenil do Estúdio de Dança Raquel Laranjo, com a coreografia “Em seu próprio mundo”. Entre os dançarinos jovens, as performances individuais contaram com representantes do Grupo Jovem Praia Clube, da Bet Brito Dança e Cultura e do Elemento Urbano Project.
Já em conjunto juvenil, as apresentações foram do Grupo Jovem Praia Clube e do Centro de Danças Corpo e Movimento. Flor, uma das dançarinas, explica que “Filhas da Candelária”, do Centro de Danças, “é baseada na série ‘Os quatro da Candelária’, que conta uma história real. A coreografia conta a história das crianças que viviam na escadaria da igreja da Candelária, onde aconteceu um massacre”. Para ela, é importante mostrar, pela dança, um pouco da vida daquelas pessoas, “a história das crianças sendo felizes com o pouco que elas têm, a indignação delas com a indiferença que elas são tratadas, chutadas pela polícia, retiradas do lugar, e no fim, a morte, porque as pessoas não conhecem mais esse fato”.



As apresentações dos adultos abarcaram também solos (Scheila Diniz, Maria Eduarda Rodrigues, Erika Noah, Amanda Benfica, Maristela Estrela, Cenartes, Styl Company e Escola de Dança Rubiane Burim); duo, da Berg Cia de Dança; trio, da Sonhart Studio de Ballet; e conjunto (Berg Cia de Dança, Praia Clube Cia de Dança, Centro de Danças Corpo e Movimento, Studio A, Grupo Anexxa, Grupo Malu Vidal e Talentos Centro de Danças).
Suzane, dançarina da Talentos, conta que a coreografia apresentada, “Gravita”, “é inspirada na gravidade, onde a gente trabalha em diversas dimensões, busca potencializar momentos de gravitar, tentando passar leveza e entregar de corpo e alma tudo que a gente vem trabalhando”. Em sua primeira participação no Festival e parte do grupo classificado em primeiro lugar na categoria na noite, Suzane afirma: “estar em um festival aqui da região, com vários artistas, ver bailarinos em outros espetáculos, perceber como o próprio grupo vem evoluindo, é muito gratificante estar aqui”.



As apresentações de conjunto 40+ (Uai Q Dança e Talentos Centro de Danças), duo 40+ (Grupo Movimento Livre Bet Brito) e solo 60+ (Mooving Cia de Dança) empolgaram a plateia, numa demonstração de alegria, técnica e descontração. O grupo de mulheres Talentos Divas, vestidas de vermelho, apresentou “Elas Titãs”, da coreógrafa Karyne Bittencourt, mostrando que “entre caos e amores, delicadezas e espinhos, a vida transforma o coração de cada mulher. A experiência e a sabedoria interna são tão fortes quanto o mar vermelho e, com imenso amor, tudo vencem”.
A terceira noite de mostras competitivas e não competitivas do FDT foi encerrada com dança de salão, nas apresentações do conjunto 40+ da Wulto´s Cia de Dança, com “Samba Rock UDI”, e duo 60+, da Afrojec, com “Sol a Sol Labutar”. A Wulto´s “buscou trazer a energia, a alegria e a história desse ritmo tão brasileiro para o palco, misturando passos tradicionais com uma pegada contemporânea, para mostrar nossa identidade como grupo e, ao mesmo tempo, valorizar a cultura”, contam os integrantes do grupo.
Para a dançarina e professora de dança Brenda Santos, “participar do Festival foi incrível! Foi uma troca muito rica com outros artistas, um momento de aprendizado e também de celebração da arte da dança. Voltamos cheios de inspiração e com a sensação de missão cumprida”.





















