Sabrina Kelly reforça que a dança afro, apesar de festiva, trata de questões sociais e políticas

Por: Vitória Pereira

É nos movimentos que se encontra o resgate seja ele intrínseco, relacionado ao encontro do dançarino com a arte, seja externo, no contato com o outro. Dessa vez, para além de todos esses percursos, os movimentos também reviveram a memória, aquela que, por muitos anos, foi silenciada. A memória ancestral e cultural foi o foco do workshop Afro Contemporâneo ministrado pela dançarina Sabrina Kelly, na quinta-feira (01/08), no Teatro Municipal de Uberlândia, durante a 31ª edição do Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU).
Movimentos circulares, pé aterrado e contrações corporais manifestaram-se no hall do Teatro Municipal como atos significativos, uma vez que esses saberes nasceram na diáspora africana, especificamente na região centro-oeste da África. Sabrina Kelly, que integra também a equipe de jurados desta edição do FDT, ressalta a importância de trazer esses movimentos não apenas como uma dança que se apresenta, mas como uma forma de consciência sobre sua origem. “É uma dança que lembra as festividades do nosso povo e que, apesar de festiva, trata de questões sociais e políticas. Por isso, os movimentos são tão fortes”, destaca.



Reconhecimento do corpo, do ambiente e de si mesmo, a dança provoca isso em cada pessoa que a vivencia. Não foi diferente ao ocupar os passos coreografados por Kelly, que também se destacam por reviver aquilo que, muitas vezes, passa despercebido. A conexão mais intensa vem da música: o som do atabaque, emitido pela artista, foi de suma importância para conduzir e reconhecer os corpos presentes.
Cris Sousa, dançarina contemporânea que participou pela primeira vez de uma oficina de dança afro, comentou: “Nunca tinha feito, mas, ao experimentar, é como se involuntariamente meu corpo já conhecesse. É verdadeiramente ancestral o reconhecimento do corpo nessas circunstâncias”.
Aprender arte e cultura é compreender de onde elas vieram. A dança move-se, porque outras já se moveram. “Tudo é África. Viemos de um continente rico e referência para todos os cantos do mundo”, ressalta Sabrina ao finalizar a oficina, trazendo a reflexão sobre de onde viemos, onde estamos e para onde iremos, sempre levando nossa arte.







