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O festival já começou!

Espetáculo “Umbigo Do Sonho” apresenta sensível entrelaço de dança e psicanálise

Em apresentação solo e autobiográfica, Fábio Costa aborda o essencial da vida, que é sonhar, e promove reflexões sociais, cruzando sua história com a realidade brasileira 

Por: Júlia Almeida

Créditos: Doo Fotografia

“Umbigo do Sonho”, apresentado pelo bailarino Fábio Costa, conta a história do artista e de tantos outros brasileiros enquanto aborda o sonhar como essencial para a vida.  O bailarino está entre os convidados do 31 º Festival de Dança do Triângulo (FDT), organizado e realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU), e realizou sua apresentação no sábado (02/08) no palco do Teatro Municipal de Uberlândia, abrindo as apresentações da noite. 

A criação desse trabalho de Fábio Costa teve início com o prêmio Cena Plural, na cidade de Belo Horizonte. Para dirigir o projeto, o artista convidou o psicanalista Musso Greco, que havia conhecido no Desembola na Ideia, lugar de atendimento a jovens em conflito com a lei. Decidiu entregar para o psicanalista uma frase dos Racionais Mc’s: “Acreditar que sonhar sempre é preciso, é o que mantém os irmãos vivos”. A partir dela, Musso Greco pediu que Fábio passasse a anotar todos os sonhos que tinha ao dormir: “E aí ele foi trilhando essa trama. Então, a partir desses sonhos, ele veio construindo cenas. Esse trabalho foi estreado online e a gente recebeu outro prêmio para o trazer para o palco”, conta Fábio. 

O artista explica que a trilha que embala todo o espetáculo foi criada para a apresentação em atividades no Desembola na Ideia dirigidas por Guto Borges: “Ele que foi o compositor a partir das ideias. Tudo está ligado aos sonhos e os meninos, como tinham oficina  de música, criaram a trilha assim, a partir da direção do Guto. Esse trabalho circulou em algumas cidades, dentro de outros festivais”. 

O que também torna especial o “Umbigo dos sonhos” é que, a partir dos movimentos em cena, Fábio conta sua história e de sua família. A produtora do espetáculo Luciana Lanza enfatiza: “A mãe dele era faxineira, o pai era pedreiro. Então, é como se ele estivesse fazendo um padedê com o carrinho de mão. Ele traz essa relação dos trabalhos que a família dele exerceu”.

As vivências de Fabio podem ser cruzadas com as experiências de tantos outros brasileiros, o que promove uma reflexão sobre o cenário nacional repleto de desigualdades em diversos âmbitos: “Na minha adolescência, a minha família toda trabalhava em construção civil. Então, eu também, na adolescência, entrei na construção civil. Trabalhava de ajudante de pedreiro. O trabalho conta essa trajetória, que não é só minha, mas de muitas pessoas”.

Vanilton Lakka, um dos organizadores do FDT, explica que Fábio é um artista experiente e importante no cenário da dança e que veio a convite do festival, viabilizado pelo SESC, para apresentar seu trabalho solo: “Além de tudo, ele é um trabalho que tem histórico de hip hop e de dança contemporânea. Você consegue perceber essas duas coisas, e abre margem para uma questão do próprio intérprete com o histórico que ele tem como indivíduo”. Lakka enfatiza a presença do artista enquanto homem na dança cênica: “A dança ainda não tem muitos homens, a dança cênica, então o trabalho dele é de uma figura que vazou dentro de um recorte social e entrou na dança, virou profissional”. 

Fábio Costa, em cada movimento de seu trabalho, consegue mostrar que a dança é também espaço de histórias,  reflexões sociais e cura. Afinal, o próprio artista encarou o processo vivido com os sonhos como uma forma de repensar e elaborar: “Em uma apresentação, eu estava no palco e o Musso estava lá dirigindo. E ele me perguntou de lá da plateia: ‘Fábio, como é que você tá hoje em dia? Você tem sonhado muito?’ Respondi: ‘Não, Musso, eu não tenho mais esses tipos de sonhos’. Aí ele gritou do outro lado: ‘É porque você tratou, né, amigo?’ Isso é muito importante para mim. Esse trabalho”. 

Fábio Costa ainda ministrará uma oficina no FDT, na manhã de domingo (03/08), dia em que as mostras competitivas e não competitivas se encerram no Teatro Municipal de Uberlândia. 

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