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O festival já começou!

“Conexão, redes e interações” é o tema da 32ª edição do Festival de Dança do Triângulo

Temática reforça princípio fundamental do Festival: a dança como espaço de encontros, trocas e conexões coletivas entre diferentes pessoas e grupos

Por: Beatriz Ortiz

A Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU) oficializou, neste mês, o tema da 32ª edição do Festival de Dança do Triângulo (FDT). Em 2026, o evento será guiado pelo tema “Conexão, redes e interações”, que orientará a programação de palestras, mesas-redondas e outras atividades de debate do evento, previstas para o mês de julho. 

O tema “Conexão, redes e interações” representa um princípio fundamental do Festival: o de que a dança é um espaço de encontros, trocas e relações, em que diferentes pessoas e grupos se conectam sem a necessidade de uma estrutura hierárquica rígida. É o que aponta Cláudio Strondum, da diretoria da APDU:

“O termo ‘interação’ se refere ao contato entre corpos, pessoas ou grupos. Eles se relacionam e se afetam mutuamente, mas não perdem suas individualidades. ‘Rede’ representa as interfaces horizontais criadas a partir dessas interações. E ‘conexão’ atua como uma síntese dos dois conceitos anteriores, reforçando tanto os vínculos entre pessoas quanto os processos coletivos construídos no festival”, explica.

O tema deste ano dá continuidade às discussões promovidas pelo FDT desde 2023, quando passou a ser gerido pela APDU. Naquele ano, a temática “Atualização e Permanência” convidou o público a refletir sobre as preservações e transformações necessárias nas tradições da dança. E, em 2025, o tema “Ecos do Cerrado e a Responsabilidade Social” propôs diálogos entre dança, meio ambiente e sociedade.

“O Festival já vinha discutindo, nos últimos anos, ideias ligadas à ecologia profunda, responsabilidade social e relações humanas e culturais, sob uma perspectiva que ia do digital ao social dentro de um grande ecossistema. ‘Conexão, redes e interações’ fecha esse ciclo ao trazer as reflexões para o campo das relações entre seres humanos, natureza, outras espécies e meios de produção cultural e tecnológica”, comenta Strondum.

Vanilton Lakka, também integrante da diretoria da APDU, relembra que a palavra ‘conexão’ ainda evoca outros sentidos. Um deles está relacionado à tecnologia e à cultura digital. O tema dialoga com as transformações provocadas pela cultura digital nas relações humanas, artísticas e políticas, ampliando formas de interação e organização em rede já presentes na sociedade.

O segundo sentido está ligado ao fortalecimento de redes de colaboração em torno do Festival. “Essa questão da circulação, das redes e das conexões é importante para toda a sociedade, porque a vida coletiva depende das relações entre as pessoas. Mas, no campo da dança, essa dependência é ainda maior, já que existe menos autonomia, mas necessidade constante de diálogo, parceria e construção de redes. O tema também passa muito por esse lugar”, explica Lakka.

A conexão pela tecnologia

O tema Conexão, redes e interações” dialoga com a influência da cultura digital sobre as relações humanas e artísticas. Ferramentas como WhatsApp, videochamadas, recursos audiovisuais e inteligência artificial passaram a integrar tanto o cotidiano das pessoas quanto os processos de criação em dança. “A gente está vivendo em uma sociedade de cultura digital, e isso acaba interferindo nas formas de relação, circulação e organização das pessoas”, afirma Lakka.

Ainda assim, o professor e membro da diretoria da APDU relembra que a ideia de “rede” não nasceu com a internet. As relações em rede já existiam socialmente antes das tecnologias digitais; a internet apenas tornou essas conexões mais visíveis, rápidas e intensas. Por isso, ao pensar o tema do festival, a APDU relacionou as redes humanas e sociais, as redes digitais, a circulação de informação e as conexões culturais e artísticas. 

Então, embora o festival dialogue com o universo digital, a principal “tecnologia” da dança continua sendo o corpo e a interação presencial entre as pessoas. “A maior tecnologia que nós estamos solicitando nesse momento de crise é a tecnologia do corpo”, afirma Strondum. Segundo ele, o festival deve valorizar experiências presenciais e “analógicas”, capazes de fortalecer vínculos humanos em um contexto cada vez mais mediado por telas e plataformas digitais.

A conexão pelas redes de apoio

Em última análise, o FDT, como todo festival de dança, depende de conexões, redes e interações para existir. Tais articulações, encabeçadas pela APDU, vêm formando redes de apoio essenciais para a realização do evento. Lakka relembra que, apenas no último ano, o FDT estabeleceu conexões com agentes culturais locais, comércios, o Sesc, a universidade federal, a Prefeitura, vereadores e até festivais como o Dança em Trânsito, do Rio de Janeiro, e o Zona Escena, realizado na cidade de Guayaquil, no Equador.

Para além do que ajuda o Festival a existir, há as conexões, redes e interações que só existem por causa do FDT. O evento funciona como uma ponte entre artistas locais e o circuito profissional da dança, ajudando a fortalecer a produção cultural da cidade e da região por meio de redes de contato, formação de público e circulação artística.

“A mostra competitiva e a não-competitiva, por exemplo, recebem escolas e grupos menores que normalmente não conseguem circular fora de suas cidades. O Festival também tenta fortalecer a cena profissional local ao selecionar grupos de Uberlândia; remunerar apresentações; trazer curadores, pesquisadores e produtores de outras cidades e países; e criar oportunidades para que trabalhos locais sejam convidados para outros festivais e espaços culturais”, explica Lakka.

O Festival cria pertencimento, fortalece vínculos culturais e mantém viva uma experiência coletiva da dança. Constrói uma cena cultural baseada em trocas, reconhecimento e interação entre artistas e instituições. Funciona, afinal, como um ritual social da dança, semelhante a outras manifestações culturais coletivas que permanecem vivas por meio da convivência e da participação comunitária. Vive com, por causa de e para as conexões, redes e interações.

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